Os homens imaginam que o que move a Deus são os sentimentos, e não os princípios. Eles supõem que a Sua onipotência é uma ociosa ficção, a tal ponto que satanás desbarata os Seus desígnios por todos os lados. Acham que, se Ele formulou algum plano ou propósito, deve ser como o deles, constantemente sujeito a mudança. Declaram abertamente que, seja qual for o poder que Ele possui, terá que ser restringido, para que não invada a cidadela do “livre-arbítrio” humano, e o reduza a uma “máquina”. Rebaixam a eficaz expiação, a qual de fato redimiu a todos aqueles pelos quais foi feita, fazendo dela um mero “remédio” que as almas enfermas pelo pecado podem usar se se sentirem dispostas a fazê-lo; e enfraquecem a invencível obra do Espírito Santo, reduzindo-a a um “oferecimento” do Evangelho que os pecadores podem aceitar ou rejeitar a seu bel-prazer.
O Deus deste século não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha a glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala atualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da atualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem “deuses” de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus.

— A. W. Pink

Para quem quer conhecer a história deste piedoso homem tão poderosamente usado por Deus, “Spurgeon - Uma Nova Biografia" de Arnold A. Dallimore, é um excelente livro.

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A questão a ser considerada não é se você é um grande ou pequeno pecador, se você é eleito ou não, se você é convertido ou não. A questão é simplesmente essa: Você sente e odeia seus pecados? Você se sente pesado e oprimido? Você está disposto a colocar sua vida nas mãos de Deus? Se esse é o caso, então a porta se abrirá para você. Venha hoje. Por que você permanece aí fora?

J. C. Ryle

Um “suspiro” é uma declaração inarticulada, e um clamor indistinto para o resgate. Às vezes, os santos são atacados e perturbados, e não podem falar numa linguagem comum a suas emoções: onde as palavras lhes faltam, os pensamentos e sentimentos de seus corações se expressam nos suspiros e clamores. Os labores do coração de um cristão debaixo da pressão do pecado que habita nele, as tentações de Satanás, a oposição dos ímpios, a carga de uma sociedade desagradável, a impiedade do mundo, a vida de submissão à causa de Cristo na Terra, são descritos de forma variada nas Escrituras. Às vezes, fala-se de estar “contristado(1 Pedro 1.6), de clamar “das profundezas(Salmo 130.1), de “rugir(Salmo 38.8), de “desmaiar(Salmo 61.2), de estar “perturbado (Salmo 88.15).

As inquietações e angústia de sua alma são descritas como “gemidos(Romanos 8.23). Os gemidos do crente não somente são expressões de tristeza, como também de esperança, da intensidade de seus desejos espirituais, de sua busca por Deus, e seu desejo ardente pela bem-aventurança que eles espera do alto – “E por isso também gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu… Porque também nós, os que estamos neste tabernáculo, gememos carregados; não porque queremos ser despidos, mas revestidos, para que o mortal seja absorvido pela vida” (2 Coríntios 5.2,4). Provações da alma deste tipo são peculiares para os regenerados, e, através delas, o cristão pode identificar-se a si mesmo. Se o leitor agora é tomado por tristeza e suspiros, como um estrangeiro em sua própria terra, então pode-se assegurar que você já não está morto em pecado. Se você se encontra gemendo devido à infecção de seu coração e àquelas obras da corrupção interior que atrapalham o amor perfeito e o serviço sem interrupção a Deus, como você deseja fazê-lo, isto é prova de que um princípio de santidade já foi comunicado à sua alma. Se você geme devido às concupiscências de sua carne contra este começo de santidade, então você deve estar vivo para Deus.

A. W. Pink

Por melhor que seja a sua vida, seja o que for que você é, seja o que for que tenha feito, quando comparecer à presença de Deus verá que você é um pecador sem esperança, completamente condenado. “Ah”, dirá você, “mas eu pretendo viver uma vida melhor, virar a página, pretendo começar a ler a Bíblia, orar e fazer o bem - pretendo fazer de mim um homem justo na presença de Deus.” Melhor seria você parar imediatamente, diz a Bíblia, porque você não conseguirá fazer isso. Se você dedicasse toda a sua vida a esse trabalho, no fim estaria tão mal como no princípio. Se você abandonasse o mundo e se tornasse monge ou eremita, isso não o ajudaria. Por que não? Porque “Deus sonda o coração” e porque o padrão de Deus é absoluto. Deus não exige apenas um pouco de bondade. A exigência de Deus vem exposta nestas palavras: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22: 37-39). Esse é o padrão de Deus. Você pode ser altamente moral, entretanto não é isso que Deus quer de você. Que é que o homem pode fazer? A resposta é: não pode fazer nada.

Visto que nós nunca atingimos o padrão de justiça de Deus, Deus enviou Seu Filho unigênito a este mundo, para que Ele pudesse dar-nos a Sua justiça. Ele veio, o Filho de Deus, sem mácula, sem pecado, e prestou perfeita obediência à lei de Deus, obedeceu-Lhe em cada jota e til da lei. Viveu uma vida perfeitamente justa. Mas, mais do que isso; Ele Se fez responsável pelos nossos pecados, levou-os sobre o Seu próprio corpo e foi crucificado por causa deles. “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos”. Na cruz Deus feriu o Seu amado Filho porque Ele levou sobre Si os nossos pecados. E, ao levantá-Lo dentre os mortos no dia da ressurreição, Deus nos proclamou que a morte de Cristo foi mais que suficiente para satisfazer as Suas justas exigências.

A justiça imputada é definida em 2 Coríntios 5:21 “Àquele que não conheceu pecado, (Deus) o fez pecado por nós”. Noutras palavras, Deus tomou os nossos pecados e os imputou a Seu Filho, colocou-os sobre Ele, colocou-os na conta dEle. Esse é o significado de “imputação” - que você toma algo que pertence a uma pessoa e o coloca na conta de outra. Um homem tem um débito; você apaga na página em que está seu livro-razão e o anota na página de outro homem. Você “imputou” o débito a outrem. Foi o que Deus fez com os nossos pecados. Ele imputou a Seu Filho os nossos pecados e os puniu nEle.

(…) Isso me deixa com os meu pecados apagados; mas não é suficiente. Antes de eu poder permanecer na presença de Deus, tenho que ser positivamente santo, tenho que ser positivamente justo. Deus é reto, e justo e santo. “Deus é luz e não há nele treva nenhuma.” Para eu permanecer na Sua presença necessito ser positivamente reto e justo. E eis o que acontece: quando eu creio no Filho de Deus e em Sua obra a meu favor, Ele “imputa” a Sua justiça, a Sua perfeita observância da lei, a mim. Eu não cumpri a lei; Cristo a cumpriu perfeitamente, e Ele é justo perante a lei. Deus põe em minha conta, imputa a mim, a justiça de Seu próprio Filho. Ele me veste com ela. Assim, quando compareço à presença de Deus, Deus não me vê, Ele vê a justiça de Cristo me cobrindo, vestindo-me completamente. É nisso que agora me regozijo, diz o apóstolo. “Na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas as coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, e seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé.” (Filipenses 3:8-9)

Salvação mediante “justiça imputada” significa que a justiça perfeita de Cristo é posta em minha conta, é imputada a mim, é posta sobre mim por Deus. E, olhando para mim, vendo-me revestido da justiça de Cristo, Deus me declara homem justo, declara que sou justo; a lei não pode tocar em mim. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Romanos 8:1). A lei não tem nada que possa dizer contra mim porque estou coberto por esta perfeita e imaculada justiça do Filho de Deus.

Dr. Martyn Lloyd-Jones

Seja qual for a sua tentação, seja para o pecado, para temer ou duvidar por causa de pecado, ou sobre seu estado e condição, ela não consegue permanecer diante da fé que levanta o estandarte da cruz.

— Dr. John Owen

Pedi ao Senhor que eu crescesse
Na fé, no amor e em todas as graças,
Mais de Sua salvação conhecesse
E com maior zelo Seu rosto buscasse.

Foi Ele que me ensinou a orar assim,
E Ele, confio, minha oração respondeu,
Mas de tal maneira o fez
Que quase ao desespero me levou.

Esperei que num momento favorecido
Logo respondesse ao meu pedido
E, pelo poder constrangedor do Seu amor,
Subjugasse meus pecados e repouso me desse.

Em vez disso, Ele fez-me sentir
Os ocultos males do meu coração
E deixou que os feros poderes do inferno
Por todo lado minh’alma assaltassem.

Sim, e mais, com Sua mão pareceu
Intentar agravar minha aflição;
Cortou os belos desígnios que projetei,
Meu gáudio arruinou, e me abateu.

Senhor, por quê? - trêmulo gritei.
Queres perseguir Teu verme até à morte?
É desse modo, o Senhor replicou,
Que atendo os rogos por graça e fé;

Emprego estas provações internas, e assim,
Do ego e do orgulho te livrar;
Rompo os teus planos de terreno gozo,
Para que procures teu tudo em Mim.

Hino escrito no século XVIII pelo piedoso John Newton

Encontrando o legalismo - Edward T. Welch

O legalismo é mais comum do que imaginamos. É um daqueles instintos humanos que encontramos alojados em cada coração.

  • Você já disse: “Simplesmente não posso me perdoar”?                      
  • Sua vida é uma longa litania de: “Se eu simplesmente pudesse…”?      
  • Outros já o chamaram de compulsivo?                                  
  • Você está sob o peso de pecados passados?                          
  • Você acredita que Deus está cronicamente decepcionado com você?    
  • Você acredita que Deus goste mais de você quando você é bom? 
  • Você faz negócios com Deus do tipo: “Se o Senhor… eu…”?

Dá para ouvir nessas perguntas a convicção de que sua relação com Deus depende mais de você do que dEle mesmo?                                   

Considere, agora, o que você acha que pode acrescentar ao Evangelho. A vida se encontra em Deus + __________.

  • Servir na igreja.
  • Ler a Bíblia.
  • Não ser muito maldoso.
  • Ser relativamente honesto.
  • Não se embebedar.
  • Ser sexualmente cuidadoso

Todas essas coisas são boas. O que as torna feias é o motivo que as impele. Se fizermos essas coisas para encontrar o favor diante de Deus, elas não terão valor. Quando se tornam atividades em que confiamos, elas se tornarão abominações, pois tentam substituir a Deus. 

Entre clarões de júbilo e nuvens de dúvida,
nossos sentimentos vêm e vão;
nosso melhor estado sempre está a agitar-se
num fluxo e refluxo que não cessa:
nenhum modo de sentir, ou mesmo de pensar,
nem sequer um dia permanece;
mas Tu, ó Senhor, não sofres variação,
não mudas jamais, sempre és o mesmo.

A Tua força capto e a faço também minha,
e se enche de paz meu coração;
se solto as minhas mãos, logo me sobrevêm
densa treva e fria inquietação.
Não permitas que eu busque alívio e bem-estar
no meu pobre e fraco apego a Ti;
com temor regozijo-me nisto somente:
a Tua forte mão é que me segura.

— Rev. George Matheson